10.11.09

Japan 3



Como por castigo de Dylan, encontrei três franceses. Três antoinettes típicos, daqueles q nao sao a excepção q confirma a regra. Vejo isto como um Sinal q me encaminha para a terra prometida a quem nao gosta da Piaf e do Alain Prost. Infelizmente, ainda nao é o Japão. Assim vai custar menos regressar... Ahh, e deixei de gostar da Amelie e do Obelix. Que se lixem os dois.

Dei umas voltas grandes e agora estou em Quioto a fazer os percursos turísticos. No fim da semana, se nao tiver um acidente grave, volto a Tóquio, para ver umas exposições e outras coisas ligeiramente abichanadas, e apanhar o voo para casa.

Já nao viajo sozinho. Em Okinawa, depois de uma longa travessia marítima, cheia de perigos terríveis, ou pior, comprei vinte euros de guitarra. Chama-se Margarida e, sempre q toca, enche o meu coração de alegria. Vou tentar gravar qualquer coisa e encher-vos de alegria. Esperai...


Agora, finalmente, pertenço a uma pequena elite de pessoas, n asiáticas, q possuem mais guitarras do q garfos (pentes, em japonês). Todos usamos capachinhos farfalhudos nos aniversários elitistas. Tradição.

Há quatro ou cinco dias, como tinha previsto para essa fase da viagem, perdi a carteira. É a primeira vez q perco esta carteira e a sua ausência, alem de me obrigar a reduzir as despesas, deixa-me bastante angustiado. Tive de cortar nas refeições, dormidas, entradas em templos,... e estou a considerar diminuir na cerveja, sake (veneno, em português) e nos salgadinhos. Um suplício. Mas, graças ao meu irresistivel charme, digno do melhor agente secreto da pide, a uma sorte de cão e a uma policia jeitosa chamada Ayumi Nagano, q rebaptizei de Nikita, o problema deve estar resolvido. Sem ter trabalho nenhum. Isto só vem provar q as coisas boas nem sempre acontecem só a quem merece, aos meninos q comem a sopinha e tiram boas notas nos testes. É completamente aleatório. Amanha saberei se volto à vida de lorde ou se será preciso vender o corpo e tornar-me uma gueixa depravada para ter dinheiro ate voltar. Talvez o faça de qualquer forma.

O passeio está a acabar... o q não é nada bom. Sem planos, sem horários, com um passe para os comboios e algum dinheiro para gastar, n é dificil imaginar a minha vidinha difícil das últimas semanas. Quando voltar, dia 18, conto umas histórias a quem me oferecer uma feijoada e uma taça de tinto. Por obrigação moral vou gastar os ultimos dez minutos de internet a ver tipas despidas e depois cortar as unhas dos pés. Já tenho de andar com os dedos encolhidos e, mesmo assim, é uma dor q agonia.
Beijos
p

4.11.09

Japan 2








Estava com de vontade de escrever um bocadinho mas passou. Esta maquineta cheia de teclas intimida. Ficam umas fotografias do telefone maravilha.

Vou passar os próximos dias embarcado e depois mando notícias. E só digo isto: q país extraordinário! Estou farto de andar e conhecer gente mas ainda n me cruzei com um único francês. Nem um! Zero! Pensei q n existia um lugar assim no universo.
Vou aboborar para qualquer lado.
Beijos,
Pedóró-san
(em Naha)

28.10.09

Japan 1





Já está! Tatuei um picachu enorme no traseiro. Ocupa grande parte das bochechas e um bocado de uma perna. Lindo! N por pudor, mas por o vermelho-sangue da infeccao n permitir apreciar o belo amarelo-canário do animal, n mostro agora uma fotografia da obra. Garanto, no entanto, q, ainda mais do q antes, é um rabo q merece ser exibido e aplaudido por todos.

Como saberão assim q lerem o q está a seguir à virgula, n estou no Canadá. Ate gosto mais ou menos do Canadá, assim assim, mas comprei um bilhete de avião para o Japão e usei-o correctamente. N estou desiludido com o bilhete, funcionou como previsto, mas já o país, o Japao, n é nada como imaginava. Aqui ficam algumas das minhas decepções. Vou-me fartar de escrever hoje

- Primeira... Os tipos n andam com espadas às costas. É uma pena pq nunca se sabe quando é preciso cortar uma alface e daria um jeitaço ter um mestre samurai sempre ao lado. N está.

- Os super-comboios-super-rápidos n informam a q velocidade vão. De q interessa andar a 400 ou 500 kilometros por hora se depois n me posso gabar aos amigos e fazer inveja aos conhecidos q gosto menos. Dá mais gozo andar de intercidades a 203 na linha do norte.

- N fui apalpado, nem uma vez, no metro de Tóquio. Nem uma vez! Nem à hora de ponta quando o aperto é tal q aquilo mais parece um filme porno. Nem de raspão ou por engano!

- Outra... Os japoneses n são tão baixos como imaginava. Pensei q ia libertar alguma tensão espancando dois ou três gajos pequeninos mas n o posso fazer. Sendo dois terços da população constituída por anões e n gozar com anões um dos tres pilares da minha educação, q aproveito para enumerar e q deverão ser lidos como o todo poderoso leu os mandamentos ao Moisés - 1. N gozarás com anões e tripeiros; 2. Seguirás a Sagrada Palavra de Sua Santidade O Bob Dylan; 3. N darás puns à frente da tua avó; mas dizia, 'Sendo dois terços da população constituída por anões e n gozar com anões um dos tres pilares da minha educação', o terço q me resta sao gajos normais, ainda por cima dos mais jovens, bem capazes de me dar uma tareia. Ora, para quem sonhava chegar a um meia-leca e dizer com ar fanfarão, dispersando nuvens de perdigotos, Ó caga-tacos, chega aqui essa fronha sorridente q vais apanhar um par de solhas!, esta impossibilidade deixa-me muito desgastado. Ainda n tinha decidido qual seria a tradução mais exacta disto mas agora nem vale a pena pensar nisso. Vou continuar a acumular esta energia violenta, termo tecnico zen para ter vontade de malhar em alguém, até arranjar uma mulher e casar.

- N há pandas a correr nas ruas e a rebolar para receberem festas na barriga. Nem comento isto. AAHHHHH

- Afinal n é a cerveja q é gratis, é o chá. Os estupores da agência de viagens bem me enganaram.

- Mais... Logo às cinco e meia da manhã é dia. Este fenómeno é-me completamente indiferente e n lhe reconheço qualquer utilidade, para mim ou para a humanidade. Já o q n me é indiferente, pelo contrário, é o facto de ser noite as cinco da tarde. Isto traz-me tantos transtornos q estou a chorar enquanto escrevo. N é difícil. É bastante mais complicado instalar um quadro electrico enquanto se escreve. Talvez pela ausência de uma figura paternal forte, equilibrada e moralmente sã na minha vida, sou um baldas preguiçoso. Para os ignorantes nestes assuntos, um baldas preguiçoso é uma pessoa q está obrigada a dormir até tarde e ficar deitada a decidir se dorme mais. Entao, se me conseguir levantar à uma, lavar e vestir, duas, comer, abrir a pestana e começar a pensar, duas e meia, três, resta pouquíssimo tempo até às cinco. Nem tenho fotografado, o q é uma pena, a luz aqui é linda de morrer. Tenho, portanto, um grande problema sem solução aparente. Mas, como diz um sábio proverbio japonês, 'As aparências ilódem', e descobri uma soluçãozinha para o imbróglio. Viajando para Sul, em direcção a Okinawa, consigo ganhar, pelo menos, uma hora de sol. Nada mau. Mais uma ideia genial, entre inúmeras q me ocorrem. Para quem está a pensar q uma solução simples seria passar as ferias, por exemplo, em Albufeira, eu respondo com apenas estas duas palavras, Sanitas aquecidas. Tinha mesmo de ser o Japão. E ainda há os japoneses, mas sobre esses dava para escrever um livro.

Passei uns dias em Toquio, depois em Fukuoka e agora estou em Nagasaki, para onde os portugueses, em 1571, por volta da hora do lanche, trouxeram as armas de fogo, o cristianismo e, provavelmente, algumas doenças das q fazem comichão. Só coisas boas de q nos devemos orgulhar. A cidade é também conhecida por ter recebido um generoso presente norte-americano. A seguir, no dia q acordar a horas de apanhar um comboio, vou para Kagoshima e depois, seguindo mesma filosofia de horários, de barco para as ilhas do Sul.

Já escrevi demais, gastei a minha cota de caracteres para os próximos três meses. Sao disparates q cheguem. Se alguém n se importar de corrigir os erros, eu agradeço. E pronto, fora a ressacazinha (sushi-party ontem), estou bem e recomendo-me. Agora vou comprar um champôm japonês. Quero ficar com o cabelo espetado.
Muitas vénias,
p