28.10.09

Japan 1





Já está! Tatuei um picachu enorme no traseiro. Ocupa grande parte das bochechas e um bocado de uma perna. Lindo! N por pudor, mas por o vermelho-sangue da infeccao n permitir apreciar o belo amarelo-canário do animal, n mostro agora uma fotografia da obra. Garanto, no entanto, q, ainda mais do q antes, é um rabo q merece ser exibido e aplaudido por todos.

Como saberão assim q lerem o q está a seguir à virgula, n estou no Canadá. Ate gosto mais ou menos do Canadá, assim assim, mas comprei um bilhete de avião para o Japão e usei-o correctamente. N estou desiludido com o bilhete, funcionou como previsto, mas já o país, o Japao, n é nada como imaginava. Aqui ficam algumas das minhas decepções. Vou-me fartar de escrever hoje

- Primeira... Os tipos n andam com espadas às costas. É uma pena pq nunca se sabe quando é preciso cortar uma alface e daria um jeitaço ter um mestre samurai sempre ao lado. N está.

- Os super-comboios-super-rápidos n informam a q velocidade vão. De q interessa andar a 400 ou 500 kilometros por hora se depois n me posso gabar aos amigos e fazer inveja aos conhecidos q gosto menos. Dá mais gozo andar de intercidades a 203 na linha do norte.

- N fui apalpado, nem uma vez, no metro de Tóquio. Nem uma vez! Nem à hora de ponta quando o aperto é tal q aquilo mais parece um filme porno. Nem de raspão ou por engano!

- Outra... Os japoneses n são tão baixos como imaginava. Pensei q ia libertar alguma tensão espancando dois ou três gajos pequeninos mas n o posso fazer. Sendo dois terços da população constituída por anões e n gozar com anões um dos tres pilares da minha educação, q aproveito para enumerar e q deverão ser lidos como o todo poderoso leu os mandamentos ao Moisés - 1. N gozarás com anões e tripeiros; 2. Seguirás a Sagrada Palavra de Sua Santidade O Bob Dylan; 3. N darás puns à frente da tua avó; mas dizia, 'Sendo dois terços da população constituída por anões e n gozar com anões um dos tres pilares da minha educação', o terço q me resta sao gajos normais, ainda por cima dos mais jovens, bem capazes de me dar uma tareia. Ora, para quem sonhava chegar a um meia-leca e dizer com ar fanfarão, dispersando nuvens de perdigotos, Ó caga-tacos, chega aqui essa fronha sorridente q vais apanhar um par de solhas!, esta impossibilidade deixa-me muito desgastado. Ainda n tinha decidido qual seria a tradução mais exacta disto mas agora nem vale a pena pensar nisso. Vou continuar a acumular esta energia violenta, termo tecnico zen para ter vontade de malhar em alguém, até arranjar uma mulher e casar.

- N há pandas a correr nas ruas e a rebolar para receberem festas na barriga. Nem comento isto. AAHHHHH

- Afinal n é a cerveja q é gratis, é o chá. Os estupores da agência de viagens bem me enganaram.

- Mais... Logo às cinco e meia da manhã é dia. Este fenómeno é-me completamente indiferente e n lhe reconheço qualquer utilidade, para mim ou para a humanidade. Já o q n me é indiferente, pelo contrário, é o facto de ser noite as cinco da tarde. Isto traz-me tantos transtornos q estou a chorar enquanto escrevo. N é difícil. É bastante mais complicado instalar um quadro electrico enquanto se escreve. Talvez pela ausência de uma figura paternal forte, equilibrada e moralmente sã na minha vida, sou um baldas preguiçoso. Para os ignorantes nestes assuntos, um baldas preguiçoso é uma pessoa q está obrigada a dormir até tarde e ficar deitada a decidir se dorme mais. Entao, se me conseguir levantar à uma, lavar e vestir, duas, comer, abrir a pestana e começar a pensar, duas e meia, três, resta pouquíssimo tempo até às cinco. Nem tenho fotografado, o q é uma pena, a luz aqui é linda de morrer. Tenho, portanto, um grande problema sem solução aparente. Mas, como diz um sábio proverbio japonês, 'As aparências ilódem', e descobri uma soluçãozinha para o imbróglio. Viajando para Sul, em direcção a Okinawa, consigo ganhar, pelo menos, uma hora de sol. Nada mau. Mais uma ideia genial, entre inúmeras q me ocorrem. Para quem está a pensar q uma solução simples seria passar as ferias, por exemplo, em Albufeira, eu respondo com apenas estas duas palavras, Sanitas aquecidas. Tinha mesmo de ser o Japão. E ainda há os japoneses, mas sobre esses dava para escrever um livro.

Passei uns dias em Toquio, depois em Fukuoka e agora estou em Nagasaki, para onde os portugueses, em 1571, por volta da hora do lanche, trouxeram as armas de fogo, o cristianismo e, provavelmente, algumas doenças das q fazem comichão. Só coisas boas de q nos devemos orgulhar. A cidade é também conhecida por ter recebido um generoso presente norte-americano. A seguir, no dia q acordar a horas de apanhar um comboio, vou para Kagoshima e depois, seguindo mesma filosofia de horários, de barco para as ilhas do Sul.

Já escrevi demais, gastei a minha cota de caracteres para os próximos três meses. Sao disparates q cheguem. Se alguém n se importar de corrigir os erros, eu agradeço. E pronto, fora a ressacazinha (sushi-party ontem), estou bem e recomendo-me. Agora vou comprar um champôm japonês. Quero ficar com o cabelo espetado.
Muitas vénias,
p