24.10.10

Chile 2


Finalmente, passadas quase duas semanas desde que saí do brasil, acabaram os pesadelos. Estava dificil. Sonhava, todos os dias, com a Dilma em cuecas a bambolear-se à minha frente e depois, claro, acordava aos gritos e assustava o pessoal do quarto. Então, explicava-lhes o porquê do meu terror e não dormia o resto da noite com os gritos deles. Acabou, aleluia.

Não fui a tempo de ver os mineiros. Quando cheguei a Copiapó já estavam enfiados no hospital, sítio onde, por principio, só entro em coma alcoolico. Por azar correu tudo bem no resgate e não dá para fazer piadas foleiras sobre a situação. Bastava um deles ter ficado estropiadinho, coitadinho, e já enchia aqui umas belas páginas com disparates. Assim, nada. A única coisa que se aproveitou desta historia toda foi ter conseguido publicar, no negócios, uma fotografia com mulheres nuas. O mundo ainda não está perdido, há esperança. A reportagem saiu na sexta. Ainda lá, fui a uma peluqueria e pedi para me fazerem um bigode à mineiro, que ficou uma treta mas fez-me sentir melhor recebido pela comunidade.

A seguir fui para São Pedro de Atacama. Um conselho: a menos que tenham, por obrigação, de ver coisas extraordinariamente bonitas, não vão lá. Se por algum azar tiverem mesmo de ir, levem o carro. Não é perto, eu sei, mas arranjem-se. Caso contrário acontece-vos o que me aconteceu, sao obrigados a fazer tours e ouvir repetidamente, ao ponto de apetecer bolsar, as palavras Amazing, Magic, Life changing e Mistical. Um horror, tantos americanos e australianos juntos. É um grau de lamechice insuportavel. O meu único consolo foi ve-los sofrer ao sol. A 4000 metros, nos Andes, o sol não queima, frita. Há tambem uns estupidos que alugam pranchas de snowboard, para as dunas, e bicicletas, para andar, mas isso não é vida, é sofrimento. Carro.

E continuo nos conselhos de viagem, como um gonçalo cadilhe dos pobres, menos chato e menos moralista, e vou explicar como escolher o tour. Fui a 4 em 3 dias. Então, na fatalidade de terem de comprar um tour no Atacama, preocupem-se só com uma coisa: escolher um com velhos. É importante, velhos. Gordos e de bengala, se conseguirem. Mas cuidado com os brasileiros velhos, massacram-nos à exaustão com a vida dos avós que eram portugueses de Celorico de Basto e Vieira de Leiria. Nos tours com velhos o autocarro pára sempre no cimo da ladeira, as caminhadas são sossegadas, com tempo para dormir enquando se espera pelos últimos, bebem vinho à refeição, nada de coca-colas, e contam historias bem mais interessantes do que gajos da minha idade vestidos com gore-tex dos pés à cabeça. E não vale a pena tentar encontrar um guia que não use boné e rabo-de-cavalo. Não há.

Depois de São Pedro fui para Iquique, mais a norte. Não é a cidade mais bonita do mundo e está cheia de surfistas, travestis, bêbados e outros vagabundos. Agora estou, de novo, em Santiago e amanha vou para Valparaiso, na costa. Daqui a uns dias... Uruguai.

Conselho final. Se, por acaso, estiverem no Chile com uma ressaca enorme, algo que não me volta a acontecer porque deixei muito recentemente de beber, para todo o sempre, comam uma Barros Luco, que parece uma bifana com queijo, e bebam Sprite. Por uns momentos estão no céu, sem preocupações, sem pensar nas criancinhas a sofrer e nos aleijados sem emprego. É a salvação. Só informações úteis...

Vou dormir, tive uma noite complicada e isto nao esta fácil. É costume brincar-se com as frases de engate dos pedreiros, mas a que ontem me disseram, vinda do lado contrário dos andaimes, também tem alguma piada. - Hola guapo, qué és mucho parecido com el Estivem Espilberg. Como é obvio, primeiro, pensei que ela estava no gozo mas veio a confirmar-se que era mesmo engatacion. Era feia. Vou começar a usar - Ó jeitosa, és igual à Judi Dench! Guapa!

E hoje vi uma exposição do Martin Parr :)))))))))))))
Vão para dentro. Beijos
Estivem

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