19.12.11

etiópia



Para despachar os menos pacientes… Um fino, na Etiópia, custa 4birr, 0,23usd (iupi). Só uso dólares, desisti dos euros. Quando voltar a Portugal já não existem por isso decidi esquecê-los. Ainda bem, tenho saudades dos "duzentos paus" e dos "três contos". E depois de dez finos, dizer "quarenta biiirrrrrrrrss", também tem piada.

Por sofrer de uma falta de cultura crónica, uma doença grave, desconhecia, quase por completo, a Etiópia. Era, para mim, pouco mais do que país de coitadinhos, uma Suécia ao contrário. Quantas boas noticias se lembram de ter lido sobre a Etiópia? Mas tive muitas surpresas, das boas, não como as notícias.
A história do país é interessante, e, curiosamente, tem algumas parecenças com a nossa. Há castelos com influências portuguesas; fizeram uma revolução em 74 para se livrarem de um regime fascista; são, em maioria, cristãos, apesar de terem sido incomodados pelos árabes; têm o esqueleto da Lucy, o mais velho hominídeo encontrado, com 3,2 milhões de anos e 6 dias, e nós temos o esqueleto da irmã Lúcia, a velha dos óculos mais graduados.
A Etiópia nunca foi colonizada, o que não é comum nos países africanos, e isso torna-a única. Deve haver outros, mas não me lembro de nenhum, tenho os tais problemas de falta de cultura. Os italianos tentaram lá ficar, e conseguiram durante 6 ou 7 anos, mas, além de matar gente e beber macchiatos, que ainda se podem pedir em qualquer tasco, pouco fizeram.

Outra surpresa foram as mulheres etíopes. Bem jeitosas. De vez em quando, nas longas viagens nas carrinhas, onde eu nunca encontro um espaço livre, as senhoras pegam em mim e esmagam-me contra elas até se conseguir fechar a porta, ou até entrarem mais sete. E lá vou, horas, espalmado, a respirar só de um pulmão, mas com um sorriso enorme. Já aconteceu fazer viagens à noite e só ao amanhecer, com luz, perceber que estive esmagado com uma mulher linda de morrer. As primeiras palavras que saem, sem pensar, são "queres casar comigo?", ao que elas sorriem, não entendem, ou entendem e fingem que não. Nada muda, nem no meio de África. Depois digo "bom dia!", fui bem educado.
Isto ajuda, mas continuo com medo destes autocarros e das Toyotas Hiaces. Não está fácil. Continuam a ser rapazes irresponsáveis a conduzi-las, gajos que ainda não viveram tempo suficiente para ganharem amor à vida, e que arriscam mais do que devem. A última viagem, num autocarro com umas 50 pessoas mal sentadas, durante 24 horas e com duas paragens de meia hora, só teve um condutor. Perguntei se ele não tinha sono mas explicaram-me que o rapaz mascava uma erva "mágica", comum nesta zona, e perdia a vontade de dormir. Experimentei aquilo, que é como mascar folhas de coca, só para comprovar que ainda nada me tira o sono. Tinha acabado de ler a biografia do Keith Richards onde ele conta que, por fortes magias, chegou a estar nove dias sem dormir, e consegui vir descansado.

No norte, estive em Gonder e Bahir Dar. A paisagem, de montanha, é incrível. Em Bahir Dar apanhei peregrinações de cristãos, e dos pedintes que os seguem. Pedintes a sério, nus, leprosos e esfomeados, indiastyle. Muitos. Ao mesmo tempo, chamou-me à atenção as dezenas de pessoas na rua com balanças de casa de banho, onde todos se pesam por 0,25birr. É a elegância acima de tudo. Ser magro é importante, e os etíopes são mestres nisso.

A seguir, desci para Adis Abeba, que, apesar do nome estúpido, é a capital do país.
É uma cidade grande, aberta, e segura, e não muito interessante, sem nada de realmente excitante. É segura, segundo padrões africanos, porque me tentaram assaltar três vezes. Felizmente, a não ser no cinema, o velcro faz barulho e ouvi quando me estavam abrir a mala. Eram grupos de miúdos, em que um vendia qualquer treta e os outros brincavam aos carteiristas. Com uns pontapés a coisa resolveu-se, mas não deve faltar muito até acontecer, até serem bem sucedidos. As cidades grandes do Quénia e da Tanzânia têm má fama. Chateou-me a passividade das outras pessoas que, ao verem o que se passava, não mexeram um dedo. Pelo menos, não bateram palmas. Se calhar não lhes agradou o final. Deixei de andar com a máquina fotográfica e desde que não me violem, ou que o façam com jeitinho, que sejam carinhosos, não é o fim do mundo. É mau não poder fotografar.

À noite, o ambiente é mais pesado. Mas, pelos piropos e o preço da cerveja, vale a pena sair. A zona onde fiquei, a Piazza, estava cheia bares e raparigas simpaticas que me chamavam, gritavam "és um rapaz muito bem parecido", e outras coisas que só a minha mãe diz, e enchem o ego. As causas e as consequências da profissão preocupam, mas elas são uns amores. Só é pena perceberem tão rápido que tenho o dinheiro contado para o vinho e pararem de dizer aquelas coisas bonitas.

Cheguei ontem a Nairobi, bebi uma Tusker, e caí na cama. Passei 4 dias em viagem, e, quando cheguei, estava morto. Pelo cheiro, já em decomposição. Tinha planeado voar de Adis para Nairobi, por terra era complicado, mas pensei o habitual "que se lixe, só se vive uma vez e poupam-se uns trocos", e parti. Grande parte do percurso é uma zona de ninguém, com péssimos caminhos, no meio do nada, ou no meio do mato. É o sítio de onde recebemos as noticias de fome e refugiados, as que conhecia da Etiópia e não estava entusiasmado em ver. Li vários relatos de pessoas que fizeram a viagem, mas nunca de pessoas que a repetiram, e compreendo bem porquê. A incerteza do que se passara a seguir, o esforço físico, e a insegurança, principalmente a viajar sozinho, é muito grande. Foi a viagem mais difícil que fiz, e andei por sítios meios estranhos do mundo. Mas faz-se. Agora que acabou, estou contente por o ter feito. Posso voltar, mas ao volante um jipe enorme, confortável, a fazer pó e a ver as pessoas lá de cima. 
E ainda fui atacado por elefantes raivosos que espumavam pela tromba (faziam bolinhas de ranho) e tocavam violentamente uma sineta quando ouviam o barulho de moedas. Horrível!

Há umas coisas que quero fotografar em Nairobi, mas é uma cidade demasiado violenta passar o Natal, então daqui a dois ou três dias ponho-me na alheta para a Tanzania ou o Uganda, ainda não decidi. 

Não se esqueçam da minha prenda.
Beijos



(moyale, fronteira entre a etiópia e o quénia)   

2.12.11

sudão



Salamardeco!
Arranjei, finalmente, um tempito para escrever. Não parei desde que entrei no Sudão. Armado em Bob Geldof, decidi ajudar, tentar proporcionar um melhor futuro às pessoas que encontro nesta parte de África. A pessoas que, como dizia o Albert King, "se não fosse a má sorte, não tinham sorte nenhuma". Então, passei estes longos dias, do nascer ao fim do sol, a ensinar crianças e adultos a saltar à corda. Tão importante como ter um quilo de arroz, como vocês sabem. Mas estou exausto. Ser uma Madre Teresa é mais exigente do que pensava. A recompensa, devo dizer, é enorme, e tenho-a no sorriso dos poucos que conseguem levantar uma perna para deixar passar a corda.

Mas vou contar o meu percurso no Sudão.

A viagem de barco entre Assuão e Wadi Halfa, para deixar o Egipto, foi boa. Como não morri, correu bem. Foi por pouco. Dormi no convés, ao relento, e se a temperatura descesse outro grau não estava agora dar notícias. Podia ter dormido no interior, mas aí sim, o cheiro a gasóleo e chulé era letal. Conheci gente estranha e interessante, e vi um céu tão estrelado que não precisou da lua para iluminar a terra. Valeu a pena.

Em Wadi Halfa esperava apanhar o comboio que vi no Pólo a Pólo, do Michael Palin, até à capital, Khartoum. Era velho, lento, lindo. Mas vim atrasado, a linha foi desactivada há uns anos. Chorei três horas e meia, desesperado, como se estivesse a ser obrigado a ouvir um disco dos Xutos, mas nem assim a reactivaram. Gosto de andar de comboio, no entanto, o meu problema era a alternativa, era fazer a viagem numa carrinha cheia de gente, numa Toyota Hiace. 

Já apanhei tantos sustos em Toyotas Hiaces - o pior, no Peru, com 21 passageiros, um cavalo ao volante, e um precipício - que estas viagens entraram para a minha lista de medos. E é uma lista curta, tenho uma meia-dúzia deles, é preciso ser algo realmente aterrorizador para estar incluído. Posso partilhá-la. 
Lista de medos: 1- Viagens longas em Hiaces apinhadas; 2 - Insectos com mais de 1,5cm de comprimento; 3 - Ficar preso num elevador ao som de versões em canto gregoriano de músicas conhecidas; 4 - (este é íntimo, não quero contar aqui, mas tem a ver com a próstata); 5 - Convidarem-me para jantar e a emenda ser bifes de seitã com salada de pimentos; e 6 - Velhas com barba que me tratam por "menino".
Com estas informações, o meu arqui-inimigo, o temível Joaquim José, deve estar a esfregar as mãos, vai fazer-me a vida negra. Ele não perdoa. 
Como devem imaginar, não temos muito com que nos distrair no deserto. É grande e monótono. Então, para matar umas horas, uns dias, decidi tornar-me um super-herói. Era isso ou voltar a cortar as unhas, que já estavam pela carne. Criar o terrível arqui-rival foi o primeiro passo. O segundo, foi inventar um nome heróico. Pensei em dois, Sr Mamede das Farturas e Faisão Faísca, tenho de escolher. Depois, falta ir ao alfaiate tratar do fato, e arranjar super-poderes. Não me parece um processo difícil. Já estou a imaginar a queda de vendas das t-shirts do Messi, e ver o Sr Mamede das Farturas, ou Faisão Faísca, por todo lado.


Mas fiz peitaça e lá fui, de carrinha, seguindo o Nilo, em direcção a Dongola e às pirâmides de Karima (não confundir com Cadima que fica perto de Cantanhede). Para quem passou anos a ouvir que "Bonito, bonito, são as pirâmides do Egipto", ver umas tão perfeitas no meio do Sudão levou-me duvidar de tudo o que conhecia. Comeca-se por questionar a própria frase, parece forçada, inventada por conveniência ou só para fazer conversa. Um daqueles provérbios fraquinhos que cada um pode alterar conforme lhe der mais jeito. Por exemplo, para mudar de assunto, deixar as belas pirâmides sudanesas, posso dizer: "Bonito, bonito, é ter um WC quando se está aflito". E pronto, assim, começo a falar do meu funcionamento intestinal durante estes dias, um tema de extrema importância num sítio onde as casas de banho parecem portais para o inferno. As minhas fiéis tripas ultrapassaram estas viagens intermináveis sem problemas, sem pestanejar (algumas tripas pestanejam), criando uma ligeira e oportuna prisão no ventre, proporcionando dias de sossego. O contrário, nestas situações, pode ser dramático. Depois, claro, quando chega a hora, quando tem mesmo de ser, até há bandos de abutres e hienas que vêem ao engano, convencidos da morte de um animal de grande porte na zona do alívio.
Que classe tem este último parágrafo. Peço desculpa, mas hoje só dá disto. Acordei bem disposto, sem ressaca.


Passei uns dias em Khartoum. É uma cidade degradada e suja, maior e mais cara do que esperava. Como a maioria dos visitantes trabalham para companhias petrolificas e ONGs, gente que faz muito dinheiro dos recursos naturais do país, o petróleo e os pobrezinhos, o preço dos hotéis, táxis, e mordomias desse tipo, é alto. Os poços de petróleo, desde a separação do país, pertencem ao Sudão do Sul, mas o crude ainda é escoado pela costa do Norte, o que, naturalmente (estas coisas são naturais quando há muito dinheiro envolvido), tem motivado batatada forte entre eles. Ainda há vários grupos de rebeldes (rapazes com tatuagens, fãs dos Sex Pistols) em luta nos sudões, mas onde estive, além de  militares demasiado armados, tudo foi pacífico.

Andei sempre perto do Nilo, a partir de Khartoum, do Nilo Azul, onde a população vive da agricultura e pecuária, e é pobre mas não miserável. As secas que nesta parte de África são frequentes não se sentem tanto nestas zonas. Viajar aqui pode ser duro. Não sou muito esquisito com o lado logístico das viagens, se é barato e serve para os locais, serve para mim, mas, passado uns dias, pesa. Dorme-se em sítios que parecem prisões, a ver ratos no tecto e a tentar ser amigo dos gatos cá em baixo. Não há banhos e a comida é estranha, ou muito estranha. Mas as pessoas, todas, mesmo os polícias que nos repreendem por fotografar ou por falta de uma licença qualquer (é preciso papelada para tudo), são excelentes, o melhor do país. Só por elas vale a pena a viagem. Nunca senti a menor insegurança ou tive problemas em deixar a mala não guardada, e fui várias vezes convidado para beber chá e jantar. É tradição sudanesa receber bem quem está de passagem, e, vindo do Egipto, isso nota-se.

Mas é um país onde as bebidas alcoólicas, como as leis de direitos de autor na China, são proibidas. Então, passei a fronteira. Estou num sítio a que os entendidos, os homens dos mapas, chamam Etiópia, e onde uma garrafa grande de cerveja custa 60 centimos. Acho que vou gostar desta Etiópia...

Fim.
Nunca escrevi tanto na vida. Não volta a acontecer.

beijos

20.11.11

assuão - wadi halfa



Estou em Assuão. Antes, estive no Líbano e uns dias no Cairo. Amanhã, se acordar a tempo, vou para o Sudão.

Tenho pena de deixar o Egipto nesta altura, quando volta a aquecer. Estão marcadas eleições para a próxima semana e, na rua, a confusão já é grande. Mas a minha viagem é outra; está na hora de partir.

A vontade de escrever, de actualizar o blogue desaparece ao mesmo tempo que ando para sul, e é esse o caminho. São os ares preguicosos de África, ou a necessidade de desligar, de me desligar. Qualquer dia volto à carga, é só passar o deserto.

E está tudo bem. Tudo óptimo. Pela frente tenho 24 horas num barco africano, e depois não faço ideia. É para baixo.

11.11.11

cairo, luxor e hurghada (parte 2)


Estou em Beirute, mas isso pouco interessa. Vou escrever sobre Luxor e Hurghada, é a parte 2 - O regresso do janquinzinho maldito.

Do Cairo, onde estava no post anterior, apanhei um comboio para Luxor, que fica a umas 8 horas, lá pró meio do país,  nas margens do Nilo. Durante séculos foi capital da civilização egípcia então está cheio de coisas que atraem turistas. Coisas vazias, na sua maior parte. Os templos e túmulos há muito foram limpos e pilhados e o seu conteúdo encontra-se em museus e colecções privadas, espalhados pelo mundo. Abre-se a boca de espanto umas quantas vezes, mas tem-se a sensação que só nos estão a dar os lindos embrulhos,  houve algum espertalhão ficou com os presentes.
 
Para além dos turistas e dos arqueólogos de bolsos largos, curiosamente, Luxor também atrai terroristas. Gostam de todo o sul do Egipto, ao que parece. É seco, a humidade faz mal às bombas. Nos últimos anos têm estado mais sossegados, mas em cada explicação os guias, quase com prazer, juntam: "no ano X houve aqui um ataque com Y mortos e/ou Z raptados". Sempre traquinisses das piores. Mas não fui morto nem raptado, o que foi simpático da parte deles, e dois dias depois dei de frosques. Deixei um papel a agradecer, que terminei com "Amanhã vou para a Grécia, espero encontrar-vos lá. Beijocas". Tomem, gregos. 


A seguir, Hurghada, junto à costa. Um lugar feio, cheio de russos e resorts. Gosto de sítios feios (russos e resorts, passo), mas não foi isso que me levou até lá. Infelizmente, fui mergulhar.

Sempre achei que existem melhores formas de passar o tempo do que andar de fato colado ao corpo a ver peixinhos coloridos, e que até ter um screensaver no computador com uma animação a imitar o fundo do mar pode diminuir o ritmo de crescimento do bigode, mas há sacrifícios que valem a pena, e tinha aqui uma óptima oportunidade de fazer inveja ao meu pai. Era de aproveitar. O meu pai, o João, é um gajo que usa barbatanas em vez de pantufas, vê os filmes do Cousteau com a máscara metida (não sabe porquê mas vê melhor do que com os óculos...), só respira pela boca, sai da cama como se estivesse a saltar do barco, e tem um relógio de pulso a que chama "computador" (usa-o para medir a pressão do chuveiro), mas nunca mergulhou no mar vermelho. Ia ficar piurça de inveja ao descobrir que eu lá andava, e isso alegra-me.

Assim foi. Deixei a testosterona no bar do hotel e fui tirar um curso de mergulho. O mais barato que encontrei, naturalmente. Como não me afoguei vez nenhuma, não me arrependo da escolha, mas reconheço que é asneira poupar num curso destes, há demasiadas coisas que podem correr mal e convém estar preparado. Basicamente, fui lançado à água sem formação teórica e muito pouca prática. Tira a máscara, põe a máscara; tira a coisa que manda ar, volta a meter; sem atestado médico; não fiz o teste escrito, nada. Mas passei com distinção, e tenho um certificado que o prova.

Debaixo de água é tudo bonitinho, como mostram nas brochuras, mas o que não estava à espera, e por isso achei interessante, foi a confusão, o trânsito submarino. Junto ao meu barco estavam outros 15, e infindaveis no horizonte, todos carregados de tipos com botijas às costas. Lá em baixo eram cardumes humanos e um ou outro saco de plástico a voar por perto. Parecia o Cairo. Até tive saudades. É pena não haver esplanadas submersas porque passavam-se ali umas horas agradáveis a ver os gajos nadar, borbulhar e estragar corais.

Depois dos mergulhos vinha o triste ritual das cadernetas. Os "meus colegas", gajos e gajas com idade para ter juízo, sentavam-se em círculo e apontavam os peixinhos que viram, a temperatura da água, as profundidades, comparavam cromos mais antigos e agendavam outros para juntar à colecção. É deprimente ver alguém com mais 13 anos excitar-se com uma caderneta de cromos. Antes ver um puto a fumar. Aquela lamechice mexeu tanto comigo que cheguei a vomitar, várias vezes, pelo nariz, e o mar estava calmo.
Já passou. Apaguei as fotos onde aparecia naquelas figuras ridículas e estou a embebedar-me regularmente para que este episódio se apague da memória. Matar células. 


Saí de casa há 2 meses, o que não é importante. A Ana e a Bárbara fazem anos, e isso sim, é importantíssimo. Parabéns.
Domingo volto ao Cairo.
Beijos


6.11.11

cairo, luxor e hurghada (parte 1)


Já não escrevia aqui há algum tempo. Para resumir: estava no Cairo, saí, e voltei. E correu tudo muito mal. Aliás, como sempre. Vivo um martírio, е só vai piorar. (acabei de ver os jornais portugueses e percebi que para manter este blogue actual, no seu tempo, tenho de escrever de uma forma mais fatalista, mais testemunha de jeová, como se o fim do mundo já tivesse acontecido e só estamos a fazer tempo até que ele exploda, de vez).

Do princípio, então. No Cairo, antes de voltar ao Cairo. Foram dias horríveis! (bom começo)

Fui, finalmente, ver as pirâmides. Já as tinha visto na televisão, num programa de culinária, então não foi grande a surpresa. Não esperava encontrar esferas. Se estivermos cá pelo bairro, vale a pena a visita, se não, há outras coisas para fazer primeiro. O lado piroso dos suvenires, das excursões, dos trafulhas e dos passeios de camelo no "deserto", e a imagem delas, vistas de fora do parque piramidal, no meio dos prédios e carros, tem alguma piada. Infelizmente, não assisti ao espectáculo de luzes, que deve ser magnífico. A beleza dos focos de luz e lasers projectados na esfinge deve inspirar-nos até à velhice.
Voltei a encontrar o Nuno, que veio numa das excursões do cruzeiro para onde fotografa. Tinha estado com ele em Istambul, na China. Continua parvo, felizmente. Fez-me o belo retrato que está lá em baixo. 
Mas foi um dia péssimo. E a vida é muito triste.

Mais notícias más...

Quero ir ao Sudão, que é muito mau, está cheio de areia e pessoas ruins - ouvimos da imprensa e outras fontes esclarecidas. Podia bem viver sem ter pisado a Grécia, aquele país de esterco de que já falei, mas se não pisar e arrastar os pés pelo Sudão fico arreliadinho. Agora até há dois, o do Norte e o do Sul, ou, se olharmos de lado, um à esquerda e outro mais à direita. Por razões que demoram mais do que duas linhas a explicar, quero pisar o do Norte.

Para entrar, preciso de um visto, e passei uns dias a tentar tirá-lo. Nada. Na embaixada ouve-se o habitual "Espere ali", mas nunca se sabe para o que é que se espera, sendo o mais normal não se esperar para nada, nem sequer sermos atendidos. Quando aparece uma sudanesa jeitosa, fixa-se nela o olhar e passam-se bem umas 3 horitas naquilo, mas se não aparece nenhuma, é desesperante. Estive horas a ensinar português a outro desesperado, em troca de umas asneiras e frases de engate em arábico. Tudo o que consegui, além das úteis asneiras, foi saber precisava de duas fotografias tipo passe (que tirei e ficaram extraordinárias) e de um papel da embaixada portuguesa. Assim que lá entrei ouvi o Dino Meira cantar "Voltei, voltei. Voltei de lá. Ainda agora estava em França e agora já estou cá". Quase morri ali de saudades. Foi por pouco. Ainda me apanharam do chão. Mas depois de ser obrigado a ver o resto do programa da manhã com o Jorge Gabriel e a outra tipa gira que antes era loira, recuperei, e aguento mais uns tempos sem uma feijoada.
Amanhã volto a tentar. Como talvez seja possível comprar o visto na fronteira, não estou muito preocupado.

As outras tragédias ficam para depois. Estou a perder o hábito de estar em frente a um computador então farto-me depressa. Amanhã escrevo sobre Luxor e Hurghada.
E tem sido difícil encontrar ciber-cafés. Há uns anos tropeçávamos neles. As pessoas têm net em casa e os turistas, que raramente são pessoas, carregam um computador ou um iphone por onde andam. Deixou de ser bom negócio. Na Índia cheguei a ir a ciber-sapatarias e outros sítios estranhos, sempre com os teclados pretos, do suor e pó acumulado. Uma vez, em Caxemira, militares fizeram uma rusga séria, AK47s apontadas às cabeças, no ciber onde estava, e bisbilhotaram o que estavamos a fazer. Não se mostraram interessados com os sites roupa interior que eu estava a consultar e sairam sem se despedir. É uma pena perderem-se estas coisas.

Vou vestir a burca e almoçar. Não dá jeito a comer mas, a seguir, para palitar os dentes, é o céu. Posso chafurdar à vontade com a boca toda aberta, sem ter de me tapar com a outra mão. É importante manter uma boa higiene oral quando uso burca. Os maus odores concentram-se naquela zona e deixam-me meio zonzo.

Veijos


i

22.10.11

cairo


Boas notícias. Tal como desejava, está quentinho no Cairo.

Comecei a achar que as coisas iam correr bem ainda antes de partir, quando o tipo que se sentou ao meu lado no avião, aponta para a janela, e diz emocionado:
- Water!
- It's rain!, completei eu, mostrando que sou conhecedor de coisas relacionadas com este líquido, e fluente em francês.
Ele pareceu impressionado com a minha sabedoria, mas a conversa ficou por ali, e continuou a olhar para a janela enquanto suspirava de forma estranha.

Percebi que estava a lidar com um cidadão egípcio, pois tinha feições típicas de um descendente de faraó (era chupadinho como uma múmia), a pronúncia de um vendedor de tapetes, e um passaporte verde com as letras E g y p t, a doirado.

Deduzi também, voltando a usar os meus extraordinários poderes de observação, que era um homem pouco viajado. A sua reacção de espanto e alegria quando lhe ensinei como mudar a inclinação das costas da cadeira claramente indicava que era a primeira ou segunda vez que viajava numa aeronave daquele tipo, ou mesmo num autocarro construído nos últimos 20 anos. Praticou, durante quase toda a viagem, o que tinha acabado de aprender, mesmo perante o desespero da pessoa que viajava atrás, que era uma mulher.

Depois, como manda o António, foi só fazer as contas, completar o pazle. Conclui, brilhantemente, que o sítio para onde ia, de onde este cavalheiro raramente se afastava, era um sítio sem chuva, exactamente o que eu procurava e não tinha em Istambul. Era perfeito.
Quando aterramos, disse-lhe "Adeus, vai pela sombra", ele respondeu "Cristiano Ronaldo", e calcei as sandálias que estavam no fundo da mala. Estava calor no Egipto.

Ao contrário de todas as pessoas a quem perguntei antes de vir, gosto do Cairo. Há barulho, multidões, sujidade, trânsito, instabilidade, um certo caos que atrai um viajante como eu, um turista de esplanadas e praticante de trekking urbano. E é barato. Dorme-se por 5 euros, come-se por 2 e anda-se de metro por 12 cent. Como tenho poupado na cerveja (sóbrio há 5 dias), decidi ficar num quarto ultra luxuoso de 10 euros, um "single private" com duas camas e com o "WC ensuite" que podem ver na fotografia. Invejosos?

No primeiro dia, visitei o museu. Normalmente não ligo a nada com mais de 50 anos, mas devia estar com febre, ou estou velho, e até dei por mim a tentar decifrar hieroglifos e enfiar-me de fininho em tours para ouvir as explicações dos guias, de tão interessante tudo aquilo me pareceu. Numa das alas, estão expostos todos os tesouros de Tutancámon, o faraó que morreu adolescente, retirados do seu túmulo, em Luxor. Fiquei fascinado com a inteligência do rapaz, da forma como tinha conseguido esconder as playboys e os papiros porno, que, mesmo passado tanto tempo, com vários peritos a vasculhar, ainda não tinham sido descobertos (as minhas revistas demorariam uns 3 minutos a aparecer). Mas o meu fascínio não foi longo. Numa sala mais à frente estavam as suas colecções de colares, pulseiras, frascos de perfumes e óleos,... Era claro que este adolescente faraó não ligava a playboys, e devia gostar mais de vestir o Ken do que a Barbie.
O estado degradado, decadente, do museu, que recebe milhares de turistas, e, portanto, tem uma receita que o permite manter-se, deixou-me curioso para ver outros espaços públicos com menos recursos.

No dia seguinte, fui a Guiza, ao jardim zoológico. A entrada para nacionais custa o mesmo do que uma viagem de metro, e a minha, para estrangeiro, foram 2eur. Não há estrangeiros.
Como o preço das entradas é tão baixo, o zoo tornou-se um parque normal, de merendas, para namorar, pedir, dormir, jogar à bola, mas com animais enjaulados lá pelo meio. Tudo sujo e a cair, claro. Vi um homem pescar, à socapa, na vala dos crocodilos; tratadores a pedinchar moedas e os seus macacos amendoins; um pastor alemão que dividia a casota com um chacal; uma gaiola para cocker spaniels (infelizmente já extintos);... Acho que mais depressa esqueço a torre Eifel do que esta visita. Por 1.5eur, um extra, fazemos festas nos leões, metemos a cabeça na boca de um elefante, conversamos com os ursos, e pintamos no focinho a cara do nosso bicho favorito. Uma animação.
Os animais não parecem ter fome, mas, como em todos zoos, é um crime estarem presos só para nos matarem a curiosidade. Vai dar ao mesmo do que ter cães em apartamentos, ver gatos à janela ou periquitos em gaiolas. Tão cedo não vão deixar de existir. É fácil confundir a felicidade de um animal com a sua resignação, então vamos continuar a tê-los.

Vou ficar mais uns dias pelo Cairo. Ainda nem vi as pirâmides. Depois, combinei dar uns mergulhos no mar vermelho. Lavar-me. E quero fazer um cruzeiro foleiro no Nilo. E ir a Beirut. Só não sei quando começo a descer e chego ao Sudão. A este ritmo, gasto o dinheiro todo por estas bandas e tenho de mudar o título para "1/4 de volta ao mundo 80 elias".

Beijos (saudades...)


17.10.11

quase no Cairo


​​Notícias rápidas de Istambul.

​Está frio e a chover. Ainda não parou desde que voltei de Lisboa, onde, pelo contrário, alguém se esqueceu de mudar o termostato para a posição 'Outono'. É daquela chuva londrina, chata, paciente, que passado algum tempo nos deixa encharcados.
Então, passo os dias de tasco em tasco, de chá em chá, de petisco em petisco, à conversa com quem também está preso pelo mau tempo, ou pelos petiscos. Não é má vida e aprendem-se umas coisas, mas está na altura de mudar de sítio. Mudar o tempo é mais dificil.
Assim, vou já amanhã para o Cairo, que fica no Egipto. Se, quando chegar, não estiver um calor do caraças, daquele que é preciso andar encostado aos prédios para apanhar com as pingas dos ares-condicionados, vou directo para Assuão, no sul. Se quisesse chuva e frio tinha ido para a Noruega, pescar bacalhaus.

​​Como quando parto em viagem vou sempre com a mania que sou Sherpa, que consigo passear nos Himalaias com a casa às costas, e passado uns dias percebo que não passo de um ser fraco e preguiçoso, aproveitei para deixar meia mala em Lisboa, e continuar mais leve, em peso e preocupações. Entre cuecas, chinelos, camisolas, a própria mala, ficou também o computador. Actualizar o blogue agora é mais difícil, principalmente colocar fotos. Se isto ficar com muito mau aspecto, não estranhem.

É bom pensar que, se o avião não cair, daqui a umas horas estou em África. ​
Depois dou notícias menos rápidas.
Beijos 

7.10.11

istambul




Estou em Istambul, que é uma cidade. E é gigante. Posso ter-me enganado a contar, mas devem ser 13120596 habitantes, de todos os tipos. Liberais, conservadores, indiferentes, modernos, estranhos, abstémios, bêbedos, meninos vestidos de meninas que mostram tudo, outras que não mostram rigorosamente nada, de tudo. E, até agora, não vi grandes desentendimentos entre eles. Estar aqui, num fim-de-semana de sol, quando todos saem à rua, é… lindo.   

Por isso, poupem uns trocos, desliguem a net e a tvcabo de casa, se tiverem algum filho a mais, vendam-no, ponham os outros a render, e venham, vale a pena. Depois, despacham os monumentos bonitinhos e os bazares em 2 horas, deitam fora o mapa, e quando estiverem perdidos, é quando a visita começa a valer a pena. Mais tarde ou mais cedo vão dar ao rio ou ao mar o que pode ser perigoso porque os turcos ainda não adoptaram o nosso sistema de colocar contentores, vedações e linhas férreas para nos impedir lá chegar e para proteger dos reflexos indesejados, da brisa gelada e do ensurdecedor barulho das ondas. Encontrarão aqui muita gente imprudente a divertir-se, mas cuidado. 

O melhor é apanhar um barco e sair. Se tiverem sorte, apanham um para o Harem. Sim, vai-se de barco, e, talvez por isso, aquilo cheira um pouco a peixe (isto pode não ser novidade para alguns). Se for caso disso, porque nunca se sabe, é fácil comprar viagra na rua. Sanguessugas, também, mas para outros propósitos. Aposto que estão a pensar o mesmo que eu - Como ficarão elas, normalmente tão molengonas, depois de experimentar sangue com viagra? Tumba? Não encontrei nenhum estudo sobre isso. E será que a ciência já chegou a alguma conclusão sobre comer melancia e beber vinho tinto ao mesmo tempo? Supostamente é desagradável, empedra o estômago e mata. E há alguns avanços na vacina contra a ressaca? Desistiram? Gastam o dinheiro todo em paludismos e HIVs… Tenho sonhos recorrentes em que chego a uma enfermaria, mostro a nádega esquerda (a direita já está muito estragada) e digo: "Espetem, por favor, a salvadora (nome comum da vacina), e, já agora, juntem a da gripe, quero poder embebedar-me nas correntes de ar". 
Já me perdi. Hoje queria escrever isto direitinho, com alguma informação útil e sem grandes parvoíces, mas é tão difícil. Pareço o um cego a tentar escrever num iphone, só sai asneira. 
Mas continuo, não desisto facilmente. 


Istambul, a tal coisa gigante que é uma cidade, não é o sítio mais barato para dormir. Depois de Pamukkale, onde quase me pagaram para ficar com um quarto, as minhas esperanças eram outras. Então dormi em camaratas, a última com 21 camas, por 8 ou 9eur, mas cheio de saudades de voltar a ouvir só o meu ronco, que é bastante relaxante (é opinião geral).

Após uma árdua procura, encontrei um quarto a um preço razoável, 16eur, com janela. Fiquei. Era um hotel muito frequentado por senhoras que fazem o turno da noite, o que, só por si, não é mau. Mas, e isto já vos deve ter acontecido então é fácil de perceber, quando olhamos de manhã para a almofada e surge a dúvida - Será que fui eu que me babei ou esta mancha já cá estava?, está na altura de descobrir outro sítio para dormir. Por esta e outras dúvidas, esta e outras manchas, duas noites depois, mudei. Agora vivo como um sultão. Pago 22eur mas até uma toalha me emprestam. Tenho um edredão. Como estas extravagâncias não podem durar para sempre, mais uns dias e volto a ter companheiros de quarto. Há coisas bem piores.

Já escrevi muito. Chega. E repararam, nem uma piada sobre o Steve Jobs. Em cima quase escrevi "Pareço um Steve Jobs a tentar escrever num iphone, não sai nada.", mas achei que era de mau gosto, a família dele pode seguir o blogue, então decidi gozar com os cegos. Aos poucos torno-me um gajo sério.   
É quase meio-dia, vou beber uma Efes e dar uma volta. Ainda não vi outra cerveja turca. É estranho, é como só existir o Benfica, não há rivalidades estúpidas. Mas não é grave, só com esta já consegui chegar ao hotel tão desequilibrado que tive de fazer o xixi sentado. O curioso é que, mesmo assim, consegui sujar tudo num raio de 2 metros da sanita. É um dom. Coisas de homem.

Vou a Portugal de 10 (2a-feira) a 13. Tenho de ver umas pessoas e resolver uns assuntos. Sempre sonhei dizer isto - Vou ali resolver uns assuntos. Importante. Se alguém quiser pagar um copo numa dessas noites, devo andar pelo bairro. 
Beijos


Já me esquecia. Decidi voltar a usar chupeta.






28.9.11

turquia (e, ainda, um bocadito da grécia)



Olá! Tutti frutti?
Já não estou na Grécia, e prefiro não falar muito mais sobre ela. Infelizmente, daqui a uns tempos, vou ter de voltar, num dos milhentos cruzeiros que lá se atropelam, estendido numa daquelas cadeiras preguiçosas, casado com uma velha rica e mamalhuda. É a vida... O destino assim manda, e, contra ele, é cansativo lutar. Não costumo virar as costas às adversidades e não o farei desta vez, embora pretenda encara-las ligeiramente embriagado, ou drogado.

Estou na Turquia, em Pamukkale, desde ontem. É, como as ilhas gregas, um sítio recheado de turistas, perseguidos por matilhas de vendedores esfomeados. Mas o ambiente, o cheiro, é outro. E os preços, também. Iupi. 
É bom voltar a um país muçulmano, passar o dia a chá, à espera que um gajo grite ao microfone da mesquita para avisar que é a hora de beber duas cervejas, antes de ter de voltar ao chá. Gosto dessa disciplina. E é bom estar num sítio onde ter barba ainda vale alguma coisa, e onde gozar com os cristãos, só porque tem piada, é obrigatório, por lei. Também gosto de gozar, confesso. A verdade é que o Jesus, o Cristo, se pôs a jeito. Era meio estranho. Imaginem o rapaz, com imensas possibilidades ao nível dos super-poderes, escolhe, além de curar pernetas e essas tretas, andar sobre a água. Uuhhuu, espectacular! Isto lembra a alguém? Andar sobre a água? Já ouviram alguém dizer - Eu até gostava de ter visão raio-x, para ver as gajas todas nuas e essas cenas, mas preferia conseguir atravessar a pé a piscina do meu vizinho…"? Não digo mais nada porque fui baptizado e, por castigo, ainda me dá aqui um torcicolo ou um joanete. Adiante… a coisas sérias.


Amanhã vou para Istambul. Tenho de fotografar. Ainda não fiz nada de jeito e ando arreliado com isso. Há trabalhos óptimos sobre a cidade e tenho curiosidade de ver o que posso fazer. Quando matar a curiosidade, vou embora. 
Não devo visitar o resto da Turquia. As Capadócias,… ficam para outra altura. Estou mortinho por chegar ao Cairo e começar a descer. Não é complicado como uma expedição ao pólo sul ou ir a um hipermercado no natal, mas demorei algum tempo até estar preparado para voltar a viajar em África, que não é o mesmo do que a visitar, e apetece-me começar. Sinto falta de apanhar autocarros apinhados, barcos furados, boleias caridosas, passar fronteiras com policias mal dispostos, viver na rua, das pessoas,... sinto falta do desafio. Como diz o Samuel Úria logo no início de um álbum, "Se isto fosse fácil, eu não o fazia. Se fosse difícil, eu nem lhe tocava". Até agora foi bom, mas fácil. Quero ir embora, descer.

Hoje escrevi isto rápido. Tenho tempo de pentear o bigode e ir às turcas.
Beijos


19.9.11

grécia


Foi boa ideia começar a viagem por esta espécie de país. Começar por baixo. Não gosto da Grécia e não estou a planear, sobre ela, escrever aqui nada simpático, nada de bom tom. Não gosto dos gregos, são uns cepos, são gajos que só precisam de se agradar a eles próprios, e nós, os troianos, os turistas, estamos cá para pagar as despesas. Em troca, deixam-nos usar a piscina, por especial favor. Sinto-me tão usado. Dói cá dentro, perto do coração, onde guardo carteira. Encontrei algumas excepções, e até acredito que existam mais, mas não falo agora delas para manter o espirito do texto.
Estou muito amargo hoje. Deve ser aquela altura do mês. Ou é do binho. Mas continuo…

Conhecemos as imagens de uma Grécia de maravilhosas praias, águas limpas, sol forte,…  E isso é tudo muito bonito, mas noutra altura, agora não vale a pena. É que segundo o Discovery Channel, importante fonte de informação cientifico-sensacionalista, estamos no "Mês dos tubarões", portanto, não me apanham na água, por muito quente e transparente que seja. Mesmo sabendo que não há registos de ataques, o mesmo canal mostra que estes bichos são inteligentes, matreiros, e acredito que devem estar a preparar algo, algo em grande, uma carnificina total. Mas a mim não me comem (os tubarões). Mesmo assim, consciente do imenso perigo, fui duas vezes ao mar. Molhar os pés. Uma, para mostrar que não sou nenhum menino e não são uns peixinhos que me assustam, a outra, para órinar, o que é um pouco estranho quando temos a água pelos tornozelos. Já me lavei.
E o sol também já farta. Desde que cheguei não vi uma única nuvem. Nem uma, juro por Zeus. Não consigo parar de pensar do schetch Nimbo Cumulos (link), do The Fast Show, que dava na rtp2. Scorchio! 

E não é para ser implicativo, embora até me apeteça, culpa do binho, mas a música aqui é, no mínimo, pior do que arrancar olhos com um alicate de pontas. Um martírio. Não se aproveita nada. E quem não concorda deixe aqui o pior comentário, versão moderna para "Atire a primeira pedra". Duvido que, em todo o mundo, nos últimos 5 anos, alguém tenha acordado com vontade de ouvir a Nana Mouskouri, para começar bem o dia. O mais provável é ter acordado sobressaltado por sonhar com o Vangelis (bonito nome) e as suas intermináveis parolices. Viva a minha maquineta de mp3s.

Mas nem tudo são lamentações. Tive momentos de alegria, feliz e indiferente ao que me rodeava. A verdade é que a cerveja na Grécia não é tão má como isso e já passei uns minutos bem agradáveis de lata na mão. De tal forma que vou ficar mais uns dias, antes de nadar para a Turquia. Depois de Atenas, Paros e Santorini, cheguei a Creta. E não é que estou a gostar disto. Os cretinos são porreiros e cobram menos pela minha visita. Ainda estou numa fase de negação, e, por exemplo, se tiver de pensar rápido em três coisas horríveis, sai logo: Grécia, Miguel Gameiro e Grécia, mas as coisas estão a mudar e pode ser que daqui a uma semana o espirito do texto seja outro. 

Chega de lérias. Qualquer dia volto a escrever.
É tão bom voltar a viajar :)))
bjs

11.9.11

início

 
Vou passear. Por muito tempo.
Quero experimentar outras coisas e não saber delas por alguém que as experimentou, e as enfiou num televisor. Os meus planos nunca funcionam, mas devo começar pela Grécia e Turquia, depois descer Africa pela costa Este, até Moçambique. Mais tarde, muito mais tarde, Ásia ou Australia, ou América, ou o resto de Africa… Não importa agora.
Sempre que possível vejo o mail, então escrevam, ou, se tiverem saldo a mais ou for o patrão a pagar, liguem. Por favor.
Como o Bonga, vou com uma lágrima no canto de olho. Mas é uma lágrima boa, daquelas sem sal. Vou ter saudades de tudo o que deixo, mas sei bem a sorte que tenho em o poder fazer, e vou aproveitar. 

Fiquem bem, ou venham-me visitar.
Beijos



tel: +447924587228 (nao pago roaming em grande parte dos países)
email: mail@pedroelias.net





21.3.11

hong kong, macau, malásia


estive em hong kong, macau e na malásia. escrevo com uns dias de atraso mas mais vale tarde do que nunca, e quem semeia ventos colhe tempestades, o que, neste caso, é irrelevante.

passei lá tanto tempo a não fazer nada que não tive oportunidade de olhar para o blog e enfiar qualquer coisa. isto pode parecer que não faz sentido, mas faz. certamente mais sentido do que, por exemplo, ficar alérgico a diabetes quatro meses depois de se ser decapitado. isto sim, é ridículo. ficam 3 fotografias sem legenda.