6.11.11

cairo, luxor e hurghada (parte 1)


Já não escrevia aqui há algum tempo. Para resumir: estava no Cairo, saí, e voltei. E correu tudo muito mal. Aliás, como sempre. Vivo um martírio, е só vai piorar. (acabei de ver os jornais portugueses e percebi que para manter este blogue actual, no seu tempo, tenho de escrever de uma forma mais fatalista, mais testemunha de jeová, como se o fim do mundo já tivesse acontecido e só estamos a fazer tempo até que ele exploda, de vez).

Do princípio, então. No Cairo, antes de voltar ao Cairo. Foram dias horríveis! (bom começo)

Fui, finalmente, ver as pirâmides. Já as tinha visto na televisão, num programa de culinária, então não foi grande a surpresa. Não esperava encontrar esferas. Se estivermos cá pelo bairro, vale a pena a visita, se não, há outras coisas para fazer primeiro. O lado piroso dos suvenires, das excursões, dos trafulhas e dos passeios de camelo no "deserto", e a imagem delas, vistas de fora do parque piramidal, no meio dos prédios e carros, tem alguma piada. Infelizmente, não assisti ao espectáculo de luzes, que deve ser magnífico. A beleza dos focos de luz e lasers projectados na esfinge deve inspirar-nos até à velhice.
Voltei a encontrar o Nuno, que veio numa das excursões do cruzeiro para onde fotografa. Tinha estado com ele em Istambul, na China. Continua parvo, felizmente. Fez-me o belo retrato que está lá em baixo. 
Mas foi um dia péssimo. E a vida é muito triste.

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Quero ir ao Sudão, que é muito mau, está cheio de areia e pessoas ruins - ouvimos da imprensa e outras fontes esclarecidas. Podia bem viver sem ter pisado a Grécia, aquele país de esterco de que já falei, mas se não pisar e arrastar os pés pelo Sudão fico arreliadinho. Agora até há dois, o do Norte e o do Sul, ou, se olharmos de lado, um à esquerda e outro mais à direita. Por razões que demoram mais do que duas linhas a explicar, quero pisar o do Norte.

Para entrar, preciso de um visto, e passei uns dias a tentar tirá-lo. Nada. Na embaixada ouve-se o habitual "Espere ali", mas nunca se sabe para o que é que se espera, sendo o mais normal não se esperar para nada, nem sequer sermos atendidos. Quando aparece uma sudanesa jeitosa, fixa-se nela o olhar e passam-se bem umas 3 horitas naquilo, mas se não aparece nenhuma, é desesperante. Estive horas a ensinar português a outro desesperado, em troca de umas asneiras e frases de engate em arábico. Tudo o que consegui, além das úteis asneiras, foi saber precisava de duas fotografias tipo passe (que tirei e ficaram extraordinárias) e de um papel da embaixada portuguesa. Assim que lá entrei ouvi o Dino Meira cantar "Voltei, voltei. Voltei de lá. Ainda agora estava em França e agora já estou cá". Quase morri ali de saudades. Foi por pouco. Ainda me apanharam do chão. Mas depois de ser obrigado a ver o resto do programa da manhã com o Jorge Gabriel e a outra tipa gira que antes era loira, recuperei, e aguento mais uns tempos sem uma feijoada.
Amanhã volto a tentar. Como talvez seja possível comprar o visto na fronteira, não estou muito preocupado.

As outras tragédias ficam para depois. Estou a perder o hábito de estar em frente a um computador então farto-me depressa. Amanhã escrevo sobre Luxor e Hurghada.
E tem sido difícil encontrar ciber-cafés. Há uns anos tropeçávamos neles. As pessoas têm net em casa e os turistas, que raramente são pessoas, carregam um computador ou um iphone por onde andam. Deixou de ser bom negócio. Na Índia cheguei a ir a ciber-sapatarias e outros sítios estranhos, sempre com os teclados pretos, do suor e pó acumulado. Uma vez, em Caxemira, militares fizeram uma rusga séria, AK47s apontadas às cabeças, no ciber onde estava, e bisbilhotaram o que estavamos a fazer. Não se mostraram interessados com os sites roupa interior que eu estava a consultar e sairam sem se despedir. É uma pena perderem-se estas coisas.

Vou vestir a burca e almoçar. Não dá jeito a comer mas, a seguir, para palitar os dentes, é o céu. Posso chafurdar à vontade com a boca toda aberta, sem ter de me tapar com a outra mão. É importante manter uma boa higiene oral quando uso burca. Os maus odores concentram-se naquela zona e deixam-me meio zonzo.

Veijos


i

5 comentários:

2 de Três disse...

Oh que vidinha tão infeliz a tua!!!

Homero Caramelo disse...

Onde o Nuno compra aquelas camisas? Quero uma assim mas com rosa chok.

Adorei a foto dos dois camelos com as campas em bico atrás.

Este post não refere nada sobre álcool ou ressacas, está a perder o interesse.

Anónimo disse...

O postalinho e priceless :D beijinhos muitos! Prima Joana

Anónimo disse...

Vou ser ser muito Dilecto ("captcha" da caixa de fabricar comentários)...likes!

Gatinha e Bem disse...

Cara ! Você só sabe reclamar ? Meu como você é mal amado. Ou sera que você é masoquista? Pelo jeito você esta jogando seu dinheiro fora. A maioria de seus posts, é so de reclamação so de xingamentos e difamação dos lugares que vc foi.
Da um tempo,deixa de ser babaca e escreva algo mais construtivo.
Que tal falar sobre a péssima hospitalidade dada pelo povo português e a falta de educação que é trivial na suas vidas.
Deixa de ser tacanho