16.4.12

Índia, Sri Lanka e Tailândia



Olá galera bacana,

Estou em Paris, no aeroporto, quase a chegar a Lisboa. E está tudo jóia. Gosto de imitar os caras da colónia das novelas. São esquisitos, os brasileiros. Oi? Depois de dois meses na Índia, no Ceilão e na Tailândia a encher chouriços, continuo à espera que o universo se rearranje e aumentem as temperaturas na China. Quero lá ir, e usar sandálias. A China é um país que vive na Ásia; sandálias são animais da família das pantufas. Tenho de explicar tudo, os meus país lêem o que aqui enfio. Não vale a pena explicar esta parte. Mas talvez alguém me possa tirar a dúvida: o plural de senil é seniles, senis ou senéis? Ando com isto há um tempo.
Dizer que estive estes dias a encher morcelas é estranho, até arrogante, mas é verdade. Os estatutos do blogue só me permitem mentir após o terceiro parágrafo. Quero ir à China no verão e nenhum mandamento me impede de divertir enquanto espero. Assim como nenhum diz que 'a estupidez tem limites'. Graças a Deus, não tem. Iupiii

Estou a ficar velho, cansado, como diria o puto do Karate Kid, "I'm not the grasshopper I used to be", e quando cheguei à Cidade do Cabo, com o corpo e a carteira a precisar de descanso, ainda sem vontade de voltar a Portugal, decidi comprar um voo para Bombaim. 
Depois de África, viajar nesta zona da Ásia é muito fácil. Mesmo se fosse surdo, fanhoso, perneta, ligeiramente leproso e careca, não consigo imaginar possíveis problemas. Tudo corre como se planeou dois dias ou dois minutos antes. E é barato. Não seria elegante falar de valores, portanto é-me impossível fazê-lo, mas, pelo que se gasta para viver como um mendigo em todo o lado, nas índias vive-se como um marajá. Não confundir com maracujá, esses têm uma triste vida, pendurados até apodrecer ou serem espremidos para sumo.

A Índia, para mim e três papagaios loiros, é como os rissóis de carne. Não são tão apetitosos como os outros tipos de rissóis, e medianos entre a espécie dos aperitivos salgados, porém, de tempos a tempos, surpreendem, e só por isso vale a pena continuar a prová-los. Não é, assim com o Sri Lão, a Tailândia e o Barreiro, o sítio com que mais me identifico, onde me sinto melhor, e continuo a achar que se deve ir directo para Caxemira, para os Himalaias, onde estive em 2007, sem pisar o resto. Ou pisar com jeitinho, para não sujar os pés. Bombaim e umas partes Goa valeram a pena, Bangalore e Chennai que fique para quem goste.

A sujidade e faltas de higiene no país não são mitos, como que beber cerveja por uma palhinha bate mais, ou aquela história de que quando se abana uma garrafa com água, essa água estraga-se. É sujo. Tudo ou quase tudo. E embora a maior parte da porcaria não me aflija, alguma chateia. Há vezes em que basta cheirar o prato de caril, sentir o cheiro das bactérias safadas, e sei que vou ter dois dias de correrias para os lavabos. A menos que se faça uma viagem muito cara, não há como escapar. A única forma é abstrairmo-nos, pensar noutras coisas, como se faz nos bares de strip. Depois de cada actuação, depois de uma artista safada se esfregar violentamente no varão, ninguém o limpa, fica imundo, e a artista seguinte continua com ele nesse estado. Pouco custava ter uma senhora de limpezas que lá passasse um esfregão nos intervalos, ou que o fizesse quem lava os copos, com um esfregão diferente, mas não. No entanto, quando lá estamos, com algum esforço, conseguimos pensar noutras coisas, não nas doenças a que a que as coitadas estão sujeitas, e até se passa um tempo agradável.

Outra poluição são as carradas de turistas chatos arrastados pelo lado espiritual, místico, associado ao país. Eu, sinceramente, não o percebo, e ser ignorante é meio caminho para poder gozar com isso. O certo é que quando me deram um panfleto com: 'Venha meditar pela Paz Mundial. Venha doar os seus pensamentos positivos…', não parei de rir por um mês. Mas sei que estou a ser insensível, e sinto-me mal por isso. E….. já passou. Já não sinto nada.

O Ceilanka é mais diferente da Índia do que estava convencido. É pequeno e arrumadinho, maioritariamente budista, e seguro (desde a morte do líder da guerrilha Tamil). Para despachar (tenho uma aeronave à espera), saí do Sri Lanka e pensei: é tudo muito bonito e agradável, as pessoas são simpáticas, correu muito bem, mas não volto cá tão cedo. Não houve nada de realmente excitante. De tudo o vi, e o país tem muito para mostrar, o que mais recordo foram dois grupos de macacos a nadar debaixo de água e a fazerem traquinices uns aos outros, como eu fazia com outros miúdos nas férias verão. Mas não liguem, toda a gente que conheci adorou aquilo.

A Tailândia é outro país que vive na Ásia. Recebe tantos turistas que está a afundar. Não é mau, e nem é de agora, mas convém saber que é isso que se vai encontrar, não tailandeses. Talvez o turismo mais antigo, e um dos mais conhecidos, é o sexual. Senhores que procuram senhoras para fazer coisas. Uma dessas coisas, que achei interessante, é ir para uma esplanada ter conversas românticas. E é surreal ouvir velhos barrigudos de voz melosa gabarem-se das suas proezas da noite anterior a meninas adolescentes, enquanto elas arranjam as unhas ou brincam com os iphones. Passei dias a cuscar (a cusquice é um poder de extrema utilidade que apenas deve ser usado para o bem, o que é raro, mas neste caso era para o meu bem). Não sei se se lembram de um tempo, anterior à internet, em que pais ensinavam aos filhos a história da cegonha. Aqui, as personagens são, aparentemente, idênticas, só que a historia é contada na primeira pessoa, ensinada ao mais ínfimo pormenor, e a aula prática está marcada para depois do jantar. É de chorar a rir, ou só de chorar, mas vale a pena.

Gostei de Banguecoque (Banguicóqui, em brasileiro), é uma cidade meio doida e meio varrida. Tem vida. E não é só rameiras e vinho verde, não é só happy endings, ping-pong e lady-boys. Como seria de esperar, em 6 milhões de habitantes, nem todos são proxenetas ou meretrizes, há outras pessoas com actividades menos interessantes. Perante a dificuldade de fotografar completamente oleado, a câmara escorrega, aqui ficam fotografias de um bairro onde se vendem estátuas de figuras com os mamilos à mostra. Figuras sagradas, estas. Há quem jure que as outras também são.

Até já. beijos





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1 comentário:

Licínio disse...

Pena eu não estar em lx para ouvir alguma dessas histórias que cuscaste.