11.10.12

(sexy time)

iagshemash,

Cheguei ao "melhor país do mundo, todos os outros países são governados por meninas". Estou no Cazaquistão. Da última vez que aqui escrevi, viajava num ferry, uma coisa enorme que mais tarde descobri que era um barco. Desta vez, estou num comboio, e não passa disso, é apenas um comboio. Parece-me que este gostava de ser um cardume de atuns, mas duvido que algum dia consiga.

Há uns tempos, quando planeei ir de Tóquio a Lisboa sem ser picado pela mosca do Jet lag, decidi encontrar uma alternativa ao transiberiano. Toda a gente o faz, e por baixo, pela Rota da Seda, deve ter mais piada, pensei. Não sei se tem mais piada, mas comprovei que por aqui não vai ninguém, ou quase ninguém. A noite passada tive um vagão inteiro só para mim. No comboio de Urumqi à fronteira cazaquisteana parecia estar num filme de terror, num cenário arrepiante em que os barulhos estranhos se multiplicam à medida que a luz desaparece. Quando os carris não ajudam, estas carruagens russas parecem um grupo de maricas em cima de um palco a lutar por um microfone. É ensurdecedor, e mete medo. Mas dormi sem sobressaltos, como costumo fazer durante os filmes.


Acordei, por volta das 8, com a policia alfandegária chinesa interessadíssima em ver todas fotografias que fiz no seu lindo país. Depois de 45 minutos a bisbilhotar o meu computador, deram-me os parabéns pelos auto-retratos mais ousados, os nus, que prometi enviar por email, e carimbaram-me o passaporte. A seguir, vieram os polícias cazaquistãos. Reviraram tudo, devagar, à espera que lhes oferecesse uns trocos para pararem. É o esquema do costume. Mas há poucas coisas que me dão mais prazer do que ver estupores a inspeccionar minuciosamente as minhas cuecas pegajosas, e nem toquei na carteira. Até a cama desfizeram, os salafrários. Deu tanto trabalho a fazer. Mas nem tudo foi mau, o pastor alemão era simpático. Suspeito que a partir de agora o Borat (chamei Mondego e Tejo aos policias) vai andar mais interessado em encontrar bolachas com creme de baunilha do que bombas e droga. Sei que não posso dar doces aos cães, foi só desta vez. Eu adoro os animais.


Na primeira paragem cazaquistaneza, onde comi uma bela caldeirada de cabrito, entrou mais gente. Passei a dividir o compartimento com um militar, o Akelbek, que terminou a folga e está a regressar ao trabalho (bater a pala), e com caixas com garrafas de álcool chinês, que nos pediram para esconder debaixo dos bancos. Contrabando, segundo o Akelbek, mas "nhiêt probliémi, ok ok". Rapidamente conhecemos mais gente e, de um dia para o outro, deixei a solidão do cenário de terror para dormir num café-cabeleireiro. Não percebo nada de nada das conversas, mas gosto deles, são divertidos. Já prometi voltar. Até estou convidado para uns dias de caça a lobos e ursos. Que horror, estarão a pensar. Mas não, a caçada é a cavalo e é tipo "sniper", de longe, então não há perigo nenhum, não precisam de se preocupar. Estou mortinho por mudar o tapete da sala.

No meio da confusão linguistica, porque entre todos não sabem mais do que 10 palavras em inglês, quando perguntei ao Akelbek se era casado, percebeu que eu me ia casar, e imediatamente se fez convidado para a festa. Está tão emocionado que sou incapaz de lhe explicar a confusão. Resultado: vou-me casar em 2013.

Aproveito para anunciar isto. Queridos pais, família e amigos ricos, estão convidados para o meu grandioso casamento. Realizar-se-á em Portugal, em 2013, assim que arranjar uma gaja. 
A minha mãe deve estar tão radiante como o Akelbek.

Hoje de manhã dei umas voltas em Almaty, a maior cidade do país, que é verde, moderna e organizada, onde me obrigaram a ver uma entrada de metro, em funcionamento desde 2010, e continuo no café-cabeleireiro por uma paisagem de estépiê, estépiê, estépiê,… até à capital, Astana. Chego amanhã, que é quando espero enfiar isto na internet. Agora é lá que se enfia. 


Isto são três dias de viagem. Peguei no computador para escrever sobre os últimos dois meses e meio na China, e assustei-me. Para quem não está habituado a escrever, resumir dois meses de viagem custa mais do que atar um dente a uma maçaneta e dar um pontapé na porta. Vou tentar fazer por partes. Estou em passo acelerado até casa e vou ter muitas horas em comboios e autocarros, deve dar qualquer coisa. 

Até breve. Beijos


3 comentários:

Anónimo disse...

Temos casamento!! VIVA!!

Joana

Anónimo disse...

EHEHEHE! Is Nice!

Marta F. disse...

Até que enfim que deste notícias! Folgo saber que estas bem :-)) devias escrever mais vezes (para não perderes a pratica) . Parabéns pelo casamento! Quero convite, mesmo não sendo rica! Beijocas , Marta Ferreira