8.4.13

América do Sul


¡hola

Este texto já vem tarde, estou na América do Sul há mais de um mês, mas que se lixe, como diz o ditado: mais vale tarde do que nunca. Ditado que, curiosamente, fui eu que inventei e pelo qual nunca me deram o devido crédito. É o mesmo de sempre... também inventei o “pinheiro molhado, Natal abençoado” e arranjaram maneira de me passar a perna. Mas, cá se fazem, cá se pagam. Ui, e não é que criei outro. E que pérola. Já faltava um assim, uma espécie de resignação vingativa. Vai ser um sucesso. 

Adelante... (é espanhol)

Sem alternativa, decidi começar esta viagem no fim do mundo, em Ushuaia. Não encontrei o início e começar pelo meio era meio parvo. É verdade que há outros fins do mundo, mas este é o mais famoso, o mais publicitado, então lá fui parar. Estive em Ushuaia há mais ou menos 9 anos, 3 meses e 10 dias, e tinha esperanças que tivesse mudado, no entanto, para meu desgosto, está na mesma. Na altura, achei tudo demasiado agradável, demasiado bonitinho para ser o "fim". Esperava um lugar desolado, triste, cinzento e perigoso, onde os gatos não fossem fofos, as árvores fossem troncos e os bifes fossem rijos, como os troncos. O fim do mundo. Pois, tentem pesquisar ushuaia+fin+del+mundo no google e encontrar alguma coisa desagradável. Não há. Dá lágrimas de tão convidativo que aquilo é. Até tem pinguins, possivelmente o animal mais adorável de todos.
Então, num acto de grande generosidade (é comum em mim), procurei o pior da cidade e fotografei-o, esperando que estas imagens apareçam em pesquisas no futuro, e que alguém como eu, alguém que acha os sítios feios mais interessantes do que os bonitos, as encontre e diga, “Obrigado, Pedro Elias, este é o fim do mundo que eu procurava”. E me pague uma cerveja, porque de agradecimentos e pancadinhas nas costas estou eu cheio. 


Outra vez sem alternativa, rumei a norte. Passei o estreito do Fernão (isto não soa nada bem) e fui até Punta Arenas. Já lá tinha estado.
É uma cidade pequena mas de ruas compridas, e, no seu centro, tem uma estátua do Fernão maior e mais cuidada do que a nossa, que vive no meio do fumo da Almirante Reis. É paragem de marinheiros, de militares e turistas, portanto está recheada de casas de meninas. Há um Nái Clu em cada esquina. Como sou um tipo que gosta de entrar, entrei num, fui matar a curiosidade. Com os devidos exageros a que julgo ter direito, vou contar como foi, sabendo que não passo de um puto inocente aos olhos dos frequentadores desses locais. De vez em quando lá me apanham em estabelecimentos em que meninas perdem a roupa, mas destes, confesso, não sou cliente. Lá chegarei, se Deus quiser. Para gajos como o meu aspecto, é só uma questão de tempo. Não há outra saída. 


Entrei. A primeira coisa que chama a atenção é a decoração. Que classe. Não seria de esperar que os dourados, roxos e veludos vermelhos funcionassem juntos, mas funcionam, e de que maneira. Tão acolhedor e nada chunga. Quero a minha casa assim.

Fui recebido por uma senhora feia que me encaminhou a um confortável sofá. Passado pouco tempo, chegou outra senhora, esta bonita, com um vestido comprado na secção dos 6 aos 10 anos que subiu acima do umbigo quando que se sentou ao meu lado. Estou sempre a dizer que a roupa é daquelas coisas onde não se deve poupar, mas ninguém me ouve. Sentou-se juntinho, porque estava frio. Dava para notar que ela estava arrepiada a uns 30 metros de distância, coitada. Descobri mais tarde que são obrigados a manter o ar-condicionado no máximo para evitar a propagação de doenças. Anda muito bicho no ar.

Com a Consuelo, a arrepiada, vieram dois sumos de laranja que fui obrigado a recusar porque estava com uma azia de morte. “Ardor de estomago”, disse-lhe, mas não se importou, estava intrigada com o fecho das minhas calças, parecia uma criança com um brinquedo novo. Num piscar de olhos, antes de lhe conseguir explicar, “Esto és un zip, muy eficiente e pratico”, já todo o seu interesse recaia no tecido dos meus boxers. “Algódon”, disse-lhe no meu melhor espanhol. Ela sorriu, e foi quando tudo começou a correr mal.
Continuava com sede e perguntou-me se não queria mandar vir uma garrafa de champanhe ou cocktails. Só que eu não nasci ontem, até já tenho um pêlo branco numa das narinas (não sei se é na esquerda ou na direita porque vi ao espelho e no espelho é tudo ao contrário, baralha), e percebi logo que algo não batia certo. Ora, não era o réveillon, porquê a champanha?, e os cocktails?, suminho de laranja? Era evidente que tinha ido parar a um estabelecimento para maricas. Calmamente levantei-me e disse, “Perdon, tenho o cão lá fora atado a um poste, tenho de ir meter uma moeda”, e pisguei-me. Nada contra as pessoas que bebem champanhas e bebidas por palhinhas sem serem obrigadas, quero é que andem felizes, mas eu andava à procura de algo diferente.
Mais tarde, contei esta historia num bar e garantiram-me que aquele é um prostíbulo tradicional, mas continuo com dúvidas. Também estranharam o facto de ter mostrado mais interesse na decoração do que no umbigo da Consuelo. Não interessa. Estou prontinho para outra.


De Punta Arenas é um salto até Puerto Natales, onde já tinha passado um Natal. Gosto de voltar a lugares que já conheço, como deve dar para perceber, e é por isso que ando a viajar tão desenfreadamente. É para ter mais sítios onde regressar. 
Em Natales, embarquei num ferry até Puerto Montt. Quatro dias a olhar para o mar. À noite houve karaoke, bingo (fiz linha e ganhei um boné horrível) e fiesta latina, mas, no fundo, nada para fazer. Perfeito. 

E... vou despachar isto, senão não acaba. 

A seguir, Santiago do Chile, que já conhecia. Tem óptimas casas de sandes. Engordei 30 kilos, tudo numa perna (não sei qual, por causa do espelho. mas não imaginam, é uma dor de cabeça para comprar calças).
Depois, Mendoza, que tem óptima vinhaça, e Puerto Iguazu, que tem óptimas quedas de água. 
No segundo dia de cataratas, acordei mal disposto, talvez pelo excesso de turistas, e, em vez de rumar logo ao Paraguai, decidi passar a semana santa em Buenos Aires e fazer fotografias estúpidas do Papa. Ou melhor, fotografias estúpidas relacionadas com o Papa. Não fui muito bem sucedido, mas a intenção é que conta, e esta era nobre.  

Et maintenant... (é espanhol) Estou em Assunção, capital do Paraguai, e a primeira cidade da viagem que não tem turistas. Os guias dizem que aqui não há nada para fazer, nada para ver. Adoro sítios assim. Mal se chega, está tudo visto, e só é preciso encontrar um tasco. Passam-se os dias a mudar de tasco, de esplanada e de banco de jardim. Há cidades em que gastamos tanta energia nos Tates e nos Louvres que depois falta força para ir ao café da esquina, onde não se aprende muito menos.

Entretanto, e para acabar, aconteceu uma tragédia. Foi pior do que acordar um dia e descobrir que o nosso filho é participante no Big Brother. A minha bela maquineta das fotografias avariou e vai ser repatriada. Uma grande treta. Na impossibilidade de continuar como fotógrafo, decidi voltar à minha primeira paixão, a música. A fotografia sempre esteve em quarto ou quinto lugar, depois da cerveja e dos ovos moles. Felizmente, da minha breve passagem pelo Brasil, percebi que o caminho mais rápido para a fama é criar um dupla romanticó-foleira, tipo Leandro e Leonardo (nome verdadeiro: Emival Eterno Costa. nem comento). Então, vou procurar um parceiro, o que não será difícil porque o que não faltam são brasileiros românticó-parôlos, e escrever umas músicas a-dar-pró-lamechas, o que é simples. Daqui a uns meses não se admirem de ouvir o grande sucesso na rádio: "Mi dói as rótula dos joelho di tanto mi ajoelhá por você", de Elias e Edivaldo.

Beijos grandes

7 comentários:

Anónimo disse...

Oi Primoso,
Não sei se é assim que se diz em espanhol mas vou arriscar:
- Bon Voyage, mon ami.
Um abraço forte de Maputo. Nel.

pedro elias disse...

trés bien! gracias
toma conta dos meus pais.
grande abraço

São disse...

buena viajen! assim é que se diz em espanhol das américas eheheheh Beijinho Pedro, e porta-te bem óviste? Xi coração da tia mais querida do mundo

Anónimo disse...

Ehehehehehehe! Bueno, Pedrito "Don Algodon"

Anónimo disse...

Parabéns pelo pêlo branco :) Beijinhos grandes!! primaça

Anónimo disse...

Holla! como tiens andado? tas por tierras di Papa Francisco...un buon viaggio...
( Aqui vai um pouco de Italiano-espanhol) Comprendes...
Beta e Marco

pedro elias disse...

o vosso espanhol está muy bueno.
beijinhos